Capítulo IV
O Ministério na Galileia
Parte IV — O Leproso
Parte IV: O Leproso
Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiram. Um leproso veio ajoelhar-se diante dele e disse: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me." Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Quero. Seja purificado!"
Um leproso aproximou-se dele e rogou-lhe de joelhos: "Se quiseres, podes purificar-me!" Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão e tocou nele. "Quero", disse ele. "Seja purificado!"
Estando Jesus numa das cidades, passou um homem coberto de lepra. Quando viu Jesus, prostrou-se e implorou-lhe: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me." Jesus estendeu a mão e tocou nele, dizendo: "Quero. Seja purificado!"
Um leproso se aproximou.
Lepra. A palavra cobria várias doenças de pele no mundo antigo. Algumas eram apenas erupções temporárias. Outras eram devastadoras — carne apodrecendo lentamente, dedos caindo, rosto desfigurado.
Qualquer que fosse o tipo, o resultado social era o mesmo: exclusão total.
"O leproso que tiver a doença trará as roupas rasgadas e os cabelos despenteados; cobrirá a parte inferior do rosto e gritará: 'Impuro! Impuro!' Enquanto durar a doença, ele estará impuro. Viverá separado, fora do acampamento." — Levítico 13:45-46
Viver separado. Fora do acampamento. Fora da cidade. Fora da família. Fora da vida normal.
Se alguém se aproximasse, o leproso deveria gritar: "Impuro! Impuro!" — para que as pessoas fugissem a tempo.
Este homem fez o oposto. Aproximou-se. Ajoelhou-se. E disse algo extraordinário.
"Se quiseres, podes purificar-me!" — Marcos 1:40
Não duvidava do poder de Jesus. "Podes purificar-me" — isso era certo. A dúvida era sobre a vontade. "Se quiseres."
Será que alguém como Jesus se importaria com alguém como eu? Será que o Santo tocaria o impuro? Será que o poder estaria disponível para o rejeitado?
A resposta veio imediatamente.
Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão e tocou nele.
"Quero. Seja purificado!" — Marcos 1:41
"Cheio de compaixão" — algumas versões antigas dizem "cheio de ira". Os manuscritos divergem. Talvez Jesus sentisse ambos: compaixão pelo homem, ira pela doença que o destruía.
E então fez o impensável.
Estendeu a mão e tocou.
Segundo a Lei, tocar um leproso tornava a pessoa impura. A impureza era contagiosa no sentido ascendente — o impuro contaminava o puro.
Mas com Jesus, a direção se inverteu. A pureza dele era mais forte que a impureza do leproso. Em vez de Jesus se tornar impuro, o leproso se tornou limpo.
Pause aqui.
Duas palavras que mudaram uma vida.
"Quero" — Thelō em grego, que significa desejo, quero ativamente. A dúvida do homem ("será que ele quer?") foi respondida instantaneamente, sem hesitação, sem condições.
"Seja purificado" — Katharisthēti, imperativo passivo. Não "você será curado eventualmente", não "vá fazer isso e aquilo e talvez melhore". Seja — agora, neste momento. A ordem criou a realidade.
Imediatamente a lepra o deixou e ele foi purificado. — Marcos 1:42
Imediatamente. A pele destruída — restaurada. As feridas abertas — fechadas. Os membros comprometidos — inteiros. Anos de deterioração — revertidos em um segundo.
Jesus o despediu com forte advertência:
"Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá, mostre-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho." — Marcos 1:43-44
Jesus mandou que ficasse calado. E mandou que fosse ao sacerdote.
Por quê o silêncio? Porque a fama excessiva atrapalharia o ministério. Jesus não queria ser conhecido apenas como curandeiro. Havia mais a fazer do que apenas curar corpos.
Por quê o sacerdote? Porque a Lei de Moisés exigia. Levítico 14 descrevia o ritual elaborado de purificação — sacrifícios de aves, óleo, sangue. Apenas o sacerdote podia declarar oficialmente que alguém estava limpo.
Jesus não aboliu a Lei. Mandou o homem cumpri-la. E quando o sacerdote examinasse aquela pele perfeita, seria "testemunho" — evidência de que algo sobrenatural aconteceu.
O homem não obedeceu.
Ele, porém, saiu e começou a falar abertamente, divulgando o que acontecera. Por isso Jesus já não podia entrar publicamente em nenhuma cidade, mas ficava fora, em lugares solitários. Mesmo assim, de todas as partes, continuavam vindo a ele. — Marcos 1:45
O ex-leproso contou a todos. E Jesus pagou o preço. Não conseguia mais entrar nas cidades. A multidão era grande demais. A atenção, intensa demais.
Jesus acabou vivendo como o leproso vivia antes — "fora, em lugares solitários". Uma inversão irônica. O curador se tornou o excluído.
Mas as pessoas continuavam vindo. O deserto não era obstáculo para quem estava desesperado.
Conexões
- Autoridade sobre Impureza — Lepra tornava impuro. Quem tocasse leproso ficava impuro. Jesus toca — e o leproso fica limpo. A santidade de Cristo não é contaminada; ela contamina em sentido inverso: purifica.
- Prefiguração (AT) — Levítico 13-14: leis de purificação. 2 Reis 5:1-14: Eliseu cura Naamã à distância; Jesus toca diretamente. Números 12:10-15: Miriã fica leprosa e é curada.
- Cumprimento (NT) — Marcos 1:41: "Cheio de compaixão, Jesus estendeu a mão e tocou nele." Mateus 8:17: "Ele tomou sobre si as nossas enfermidades."
- Paralelo — "Se quiseres, podes" — a questão não é capacidade, é vontade. Jesus responde: "Quero." A vontade de Deus é curar.