Capítulo IV
O Ministério na Galileia
Parte III — A Pesca Milagrosa
Parte III: A Pesca Milagrosa
Certa vez Jesus estava à beira do lago de Genesaré. Entrou no barco de Simão e disse: "Vá para onde as águas são mais fundas e lance as redes." Apanharam uma quantidade tão grande que as redes começaram a rasgar.
Andando à beira do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Disse-lhes: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens."
Passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar. Disse-lhes: "Venham, sigam-me, e eu os farei pescadores de homens."
Antes do amanhecer, Jesus saiu.
Depois de um dia exaustivo — ensino, exorcismo, curas sem fim — Jesus acordou antes de todos e foi orar, sozinho, no escuro, no deserto.
Este era o padrão. O poder vinha da comunhão com o Pai. A energia para servir multidões vinha de momentos a sós com Deus.
Simão e seus companheiros foram procurá-lo. Quando o encontraram, exclamaram: "Todos estão te procurando!" — Marcos 1:36-37
Pedro acordou, não encontrou Jesus, e saiu atrás dele. O tom era quase de repreensão: onde você foi? Todos te procuram! Há trabalho a fazer!
A resposta de Jesus foi inesperada.
"Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, a fim de que eu pregue também lá. Foi para isso que eu vim." — Marcos 1:38
"Foi para isso que eu vim."
Não vou ficar em Cafarnaum. Não vou me tornar o curandeiro residente. Há outras cidades. É preciso ir adiante.
Jesus não veio apenas para curar corpos. Veio para pregar. A palavra era mais importante que o milagre. Os sinais apontavam para a mensagem — não o contrário.
Então ele percorreu toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando demônios. — Marcos 1:39
Lucas registra o que aconteceu às margens do lago.
Certo dia Jesus estava perto do lago de Genesaré, e uma multidão o comprimia de todos os lados para ouvir a palavra de Deus. — Lucas 5:1
A fama crescia. As multidões aumentavam. Jesus precisava de espaço para ensinar.
Viu à beira do lago dois barcos, deixados ali pelos pescadores, que estavam lavando as redes. Entrou num dos barcos, o que pertencia a Simão, e pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia. E, sentando-se, ensinava o povo do barco. — Lucas 5:2-3
Solução prática. O barco de Pedro virou púlpito. A água funcionava como amplificador natural. Jesus ensinava enquanto as ondas balançavam suavemente.
Pedro lavava redes enquanto ouvia. Tinha pescado a noite toda e não pegou nada. Estava cansado, frustrado, pronto para ir dormir.
Mas Jesus tinha outros planos.
Então Jesus disse algo inesperado.
"Vá para onde as águas são mais fundas, e lancem as redes para a pesca." — Lucas 5:4
Um carpinteiro dando instruções de pesca a um pescador profissional.
Pedro poderia ter recusado educadamente. Afinal, ele era o especialista. Sabia que peixes não se pescavam de dia, em águas profundas, depois de uma noite fracassada.
Simão respondeu: "Mestre, esforçamo-nos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, porque és tu quem está dizendo isso, vou lançar as redes." — Lucas 5:5
"Porque és tu quem está dizendo isso."
A fé de Pedro não era cega. Era relutante. Ele sabia que não fazia sentido. Mas algo em Jesus merecia obediência mesmo contra a lógica.
Quando fizeram isso, pegaram tão grande quantidade de peixes que as redes começaram a rasgar-se. — Lucas 5:6
A rede se rasgando. Depois de uma noite sem um único peixe, agora não conseguiam segurar todos.
Então fizeram sinais a seus companheiros no outro barco para que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram ambos os barcos, de modo que começaram a afundar. — Lucas 5:7
Dois barcos. Tão cheios que afundavam. Uma quantidade absurda de peixes — mais do que jamais tinham visto.
Era milagre óbvio. Não havia explicação natural. Jesus não apenas ensinava com autoridade — tinha autoridade sobre os peixes do mar.
Pedro reagiu de forma inesperada.
Quando Simão Pedro viu isso, prostrou-se aos pés de Jesus e disse: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!" — Lucas 5:8
Não celebrou. Não agradeceu pela pesca. Caiu aos pés de Jesus e pediu que se afastasse.
Por quê?
Porque diante do santo, o pecador se enxerga. O milagre não apenas revelou quem Jesus era — revelou quem Pedro era. E a distância entre os dois era insuportável.
Pois ele e todos os seus companheiros estavam perplexos com a pesca que haviam feito, como também Tiago e João, filhos de Zebedeu, companheiros de Simão. — Lucas 5:9-10
Todos estavam perplexos. Não era admiração comum. Era o tipo de espanto que silencia.
Jesus respondeu a Pedro:
"Não tenha medo; de agora em diante você será pescador de homens." — Lucas 5:10
Em vez de "afasta-te de mim, pecador" — aceitação. Em vez de condenação — comissão.
"Não tenha medo." E então — uma nova vocação. Você pescou peixes a vida inteira. Agora vai pescar pessoas.
Pedro tinha encontrado Jesus antes — no Jordão, com André. Tinha passado tempo com ele. Mas este era o chamado definitivo. A transição de seguidor ocasional para discípulo em tempo integral.
Então eles arrastaram seus barcos para a praia, deixaram tudo e o seguiram. — Lucas 5:11
Deixaram os barcos. Deixaram as redes. Deixaram a pesca milagrosa — todo aquele peixe que poderia ser vendido por uma fortuna.
O chamado de Jesus valia mais que a maior pesca de suas vidas.
Conexões
- Autoridade sobre Natureza — Pedro pescou a noite inteira e não pegou nada. Jesus diz uma palavra, e as redes quase rompem. Teísmo Contínuo: Aquele que sustenta todas as coisas pode rearranjar peixes com uma ordem.
- Prefiguração (AT) — Jonas 1:17: Deus designa um grande peixe. Jeremias 16:16: "Enviarei muitos pescadores." Ezequiel 47:10: abundância de peixes onde as águas do templo correm.
- Cumprimento (NT) — João 21:1-14: a segunda pesca milagrosa, após a ressurreição — 153 peixes, rede intacta. Lucas 5:10: "De agora em diante você será pescador de homens."
- Paralelo — Pedro cai de joelhos: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador." Isaías vê a glória e diz: "Ai de mim! Estou perdido!" Encontro com a santidade revela pecado.