Capítulo V
Fé Além das Fronteiras
Parte VI — As Mulheres que Serviam
Parte VI: As Mulheres que Serviam
Depois disso, Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças.
O ministério continuava.
Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele. — Lucas 8:1
Cidade após cidade. Povoado após povoado. A mensagem se espalhava. Jesus não ficava parado. O Reino era móvel.
Os Doze o acompanhavam. Pescadores, publicano, zelote — o grupo improvável que ele tinha escolhido no monte.
Mas não eram os únicos.
E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças. — Lucas 8:2
No primeiro século judaico, isso era extraordinário. Rabinos não ensinavam mulheres. Mulheres não viajavam com mestres. A tradição dizia: "Antes se queimem as palavras da Torá do que entregá-las às mulheres."
Jesus ignorou a tradição.
Mulheres curadas, mulheres que haviam sido tocadas pelo poder de Jesus — agora seguiam, serviam, faziam parte da equipe.
Lucas nomeia três:
Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios. — Lucas 8:2
Maria Madalena.
Madalena — de Magdala, cidade pesqueira na costa oeste do Mar da Galileia. Não confundir com Maria de Betânia nem com a pecadora da casa de Simão. São pessoas diferentes.
Sete demônios — o número sugere intensidade extrema. Não um, mas sete. Opressão completa.
E agora estava livre.
De todas as mulheres mencionadas no Novo Testamento, Maria Madalena é a mais presente. Estará na cruz quando os discípulos fugirem. Estará no túmulo na manhã da ressurreição. Será a primeira a ver o Cristo ressurreto.
A mais oprimida tornou-se a primeira testemunha.
Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes. — Lucas 8:3
Cuza era administrador de Herodes Antipas — o mesmo Herodes que prendeu João Batista. Cuza ocupava posição de alto escalão. Casa no palácio. Acesso aos círculos do poder.
E sua esposa seguia Jesus.
Pense no contraste. Herodes perseguia. Cuza trabalhava para Herodes. Joana seguia aquele que Herodes via como ameaça.
A presença de Joana sugere que o evangelho penetrava até os corredores do poder. Não apenas pescadores e prostitutas. Também esposas de administradores reais.
Susana. — Lucas 8:3
Apenas o nome. Nada mais sabemos.
Uma mulher comum. Sem história registrada. Sem título. Apenas presença. Apenas serviço.
Quantas outras assim? Fiéis sem nome. Essenciais sem destaque.
E muitas outras. — Lucas 8:3
Muitas outras.
Lucas não lista todas. Havia mais. Um grupo de mulheres — não uma ou duas — acompanhando Jesus pela Galileia.
Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com os seus bens. — Lucas 8:3
O detalhe prático.
Jesus não trabalhava como carpinteiro durante o ministério público. Os Doze deixaram suas profissões. Como sobreviviam?
Com o dinheiro das mulheres.
Maria Madalena, Joana, Susana e outras financiavam o movimento. De seus próprios bens. Sustentavam Jesus e os Doze.
A ironia é profunda.
A elite religiosa criticava Jesus. Os fariseus murmuravam. Os escribas conspiravam.
E quem pagava as contas do Reino? Mulheres curadas. Algumas de demônios. Algumas da corte de Herodes. Marginalizadas sustentando o centro.
Por que Lucas menciona isso agora?
O capítulo 8 de Lucas marca uma transição. Jesus vai começar a ensinar em parábolas. A semeadura. O candeeiro. A tempestade acalmada. A multiplicação.
Mas antes das parábolas, Lucas registra que havia mulheres. Estavam ali desde o início — financiavam, serviam, testemunhavam.
Quando os eventos finais chegassem, essas mesmas mulheres estariam presentes.
Os Doze fugiriam no Getsêmani.
As mulheres permaneceriam na cruz.
Os Doze se esconderiam em quartos trancados.
As mulheres iriam ao túmulo.
Maria Madalena, Joana, Susana — e muitas outras.
Nomes esquecidos por alguns. Registrados por Lucas. Conhecidos por Deus.
Serviam com seus bens. Não pregavam sermões — sustentavam quem pregava. Não expulsavam demônios — haviam sido libertas deles. Não lideravam — seguiam.
E no momento crucial, foram as únicas que não fugiram.
O Reino não tem fronteira de gênero.
Jesus as aceitou quando a cultura as rejeitava. Permitiu que andassem com ele quando os rabinos as excluíam. Deixou que o tocassem quando a religião as mantinha à distância.
Quem reconhece a fonte, pertence.
De uma pecadora chorando aos pés de Jesus a um grupo de mulheres financiando o ministério.
O Reino é para todos que reconhecem.
Gentios, viúvas, profetas duvidando, pecadoras arrependidas, mulheres libertas.
Todos à mesa. Todos servindo. Todos pertencendo.
E agora, com a equipe formada — os Doze mais as mulheres — Jesus começaria a ensinar de um jeito novo: parábolas.
Conexões
- Marcos 15:40-41 — Mulheres na cruz: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, Salomé
- Lucas 24:1-12 — Mulheres no túmulo vazio
- João 20:11-18 — Maria Madalena vê o Ressurreto primeiro
- Atos 1:14 — Mulheres presentes no cenáculo antes de Pentecostes
- Romanos 16:1-16 — Paulo menciona muitas mulheres como cooperadoras
- Gálatas 3:28 — "Não há homem nem mulher, pois todos são um em Cristo Jesus"