II
Prólogo
Eu tinha três anos quando meu braço quebrou.
Ninguém notou por um dia inteiro. Meu choro era "birra". Minha dor era "manha". Quando finalmente chegamos ao hospital, o médico precisou terminar de quebrar o osso para realinhá-lo.
Minha mãe desabou no chão da sala de procedimentos, soluçando. "Meu filho, meu bebê." As enfermeiras correram para ajudá-la. O médico suavizou o olhar. Meu pai explicou: "Ela é muito sensível. Ama demais o piazinho."
Anos depois, entendi: suas lágrimas sempre seriam mais convincentes que as minhas.
Minha mãe tinha apelidos especiais para mim. Guardava essas palavras como munição, evitando pronunciá-las na frente de outras pessoas. Mas quando perdia a paciência — quando o verniz de mãe devota rachava — vinham os trovões: demônio endiabrado, sacizento, filho do capeta, praga do inferno.
Filho do diabo.
Era uma catequista. Devota da Virgem Maria. Todos a descreviam como simpática, fácil de gostar. Como questionar uma mulher que todos tratam como santa?
Eu não questionava. Eu apenas concluía: o problema sou eu.
Este livro não é sobre minha mãe.
É sobre como Jesus salvou minha vida. Não nas orações mecânicas ou nas imagens de gesso — mas no momento mais escuro, quando eu já não acreditava que pudesse existir algo além daquele inferno doméstico.
Mudei alguns nomes. Não quero pena. Quero que saibam.
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