Patrick Nekel
Harmonia Dos Evangelhos

Capítulo II

Nascimento e Infância

Parte VIII — Os Magos

Depois que Jesus nasceu, homens estranhos vieram do oriente.

Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos tempos do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a estrela dele no Oriente e viemos adorá-lo." — Mateus 2:1-2

Magos. Em grego, magoi.

Não eram reis — isso é tradição posterior. Não sabemos quantos eram — três presentes não significam três pessoas. Mateus não diz de onde exatamente vinham — apenas "do Oriente".

Provavelmente eram da Pérsia ou Babilônia. Sacerdotes de uma religião estrangeira. Astrólogos. Estudiosos das estrelas. O tipo de gente que a Lei proibia consultar: "Não se ache entre ti quem... seja adivinhador, ou prognosticador, ou agoureiro, ou feiticeiro" (Deuteronômio 18:10).

E foram eles que vieram adorar o rei dos judeus.

Os sacerdotes de Israel não vieram. Os escribas de Jerusalém não vieram. Os que tinham as Escrituras e conheciam as profecias ficaram em casa. Mas pagãos, guiados por uma estrela, atravessaram centenas de quilômetros para se prostrar diante de um menino judeu.

O padrão do Reino. De novo.

"Vimos a estrela dele no Oriente."

O que era essa estrela? As teorias são muitas. Conjunção planetária. Cometa. Supernova. Milagre único sem explicação astronômica.

O que sabemos é o que o texto diz: os magos a viram, interpretaram como sinal do nascimento de um rei, e seguiram.

Mas como pagãos saberiam que uma estrela significava um rei judeu?

Uma possibilidade: Balaão. Mil e quinhentos anos antes, um profeta pagão — contratado para amaldiçoar Israel — acabou profetizando: "Uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel" (Números 24:17). A profecia era conhecida. E se os magos, herdeiros de tradições orientais, guardaram esse oráculo?

Outra possibilidade: Daniel. Quando os judeus foram exilados para a Babilônia, Daniel se tornou chefe dos sábios — dos magos — daquela terra (Daniel 2:48). As profecias de Daniel sobre o Messias poderiam ter sido preservadas entre seus sucessores.

E há uma terceira possibilidade. Mais antiga. Mais estranha.

Zaratustra.

Os magos eram sacerdotes zoroastristas — seguidores de uma religião fundada por Zaratustra na Pérsia, séculos antes de Cristo. Uma religião que, diferente dos politeísmos ao redor, adorava um único Deus criador: Ahura Mazda, o Senhor Sábio. Uma religião que falava de batalha cósmica entre luz e trevas. Que prometia um salvador futuro — o Saoshyant — nascido de uma virgem, que ressuscitaria os mortos e julgaria o mundo.

As semelhanças com o judaísmo são inquietantes.

Alguns dizem que os judeus copiaram dos persas durante o exílio. Mas talvez seja o contrário. Ou talvez — e aqui entramos em território que a maioria dos teólogos evita — Deus tenha falado a Zaratustra também.

Não como falou a Moisés. Não com a mesma clareza. Não com aliança e Lei. Mas com luz suficiente para que, mil anos depois, seus herdeiros reconhecessem uma estrela no céu e soubessem o que significava.

"O Verbo era a luz verdadeira, que ilumina todo homem" (João 1:9). Todo homem. Não apenas judeus. O Logos que criou tudo deixou rastros em toda parte — fragmentos de verdade espalhados entre as nações, como migalhas que eventualmente levariam de volta à mesa.

Os magos não tinham a Torá. Não conheciam os profetas. Mas reconheceram a estrela. Viajaram. Adoraram. E foram avisados em sonho — o mesmo Deus que falava a José falou a eles.

Deus usa caminhos estranhos. Sempre usou.

Qualquer que seja a explicação, o fato permanece: Deus usou uma estrela para guiar gentios até o Messias.

Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e toda a Jerusalém com ele. — Mateus 2:3

Herodes, o Grande. Não era judeu — era idumeu, descendente de Esaú. Não era legítimo — foi colocado no trono por Roma. E não era são — sua paranoia o levou a executar esposa, sogra e três filhos por medo de conspiração.

Quando magos chegam perguntando pelo "rei dos judeus recém-nascido", Herodes não ficou curioso. Ficou perturbado. Ele era o rei dos judeus. Qualquer outro era ameaça.

"E toda a Jerusalém com ele." A cidade conhecia Herodes. Sabia o que acontecia quando ele ficava perturbado. Quando o rei tinha medo, todos tinham medo.

Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. — Mateus 2:4

Herodes não sabia a resposta. Mas sabia quem sabia.

"Em Belém da Judeia", responderam eles, "pois assim escreveu o profeta: 'Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá um líder que será o pastor do meu povo Israel'." — Mateus 2:5-6

Os escribas citaram Miqueias 5:2 sem hesitação. Conheciam a profecia. Sabiam exatamente onde o Messias nasceria.

E não foram.

Os magos viajaram centenas de quilômetros. Os escribas não andaram dez quilômetros até Belém para verificar. Conhecimento sem ação. Ortodoxia sem obediência.

Então Herodes chamou os magos secretamente e certificou-se com eles da época exata em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: "Vão fazer uma busca cuidadosa do menino. Tão logo o encontrem, informem-me, para que eu também vá adorá-lo." — Mateus 2:7-8

Mentira.

Herodes não queria adorar. Queria eliminar. A pergunta sobre "a época exata" não era curiosidade teológica — era cálculo. Ele precisava saber a idade do menino para garantir que nenhum escapasse.

Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. — Mateus 2:9

A estrela reapareceu. E agora fez algo que estrelas normais não fazem: foi adiante deles e parou sobre um lugar específico.

Quando viram a estrela, ficaram extremamente alegres. — Mateus 2:10

"Extremamente alegres." O grego é enfático: echaresan charan megalen sphodra — literalmente, "alegraram-se de alegria grande extremamente". Mateus empilha palavras para mostrar a intensidade.

A busca havia terminado. A jornada valeu a pena. O rei estava ali.

Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra. — Mateus 2:11

"Na casa" — não na manjedoura. Já havia passado tempo. José provavelmente alugou uma casa em Belém enquanto decidia o próximo passo.

"Viram o menino com Maria" — José não é mencionado na cena de adoração. O foco é o menino e sua mãe.

"Prostrando-se, o adoraram" — proskyneo, a palavra grega para adoração. Magos pagãos, sacerdotes de outra religião, se prostraram diante de uma criança judia pobre. Reconheceram nele algo que transcendia sua própria tradição.

E trouxeram presentes.

Ouro — presente para reis. O metal da realeza.

Incenso — presente para deuses. Queimado nos templos como oferta.

Mirra — usada em embalsamamentos. Presente estranho para um bebê. A menos que você saiba como a história termina.

Os presentes profetizavam: rei, deus, morto. Toda a vida de Jesus resumida em três caixas.

Tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram à sua terra por outro caminho. — Mateus 2:12

Deus falou em sonho. De novo.

José recebeu orientação em sonho. Agora os magos também. Herodes esperava um relatório. Recebeu silêncio.

Os magos voltaram para o oriente. Desapareceram da narrativa. Não sabemos seus nomes, sua quantidade, seu destino. Apenas que vieram, adoraram, e partiram por outro caminho.

Mas a visita deles deixou rastros.

Os presentes financiariam a fuga que viria. O ouro de reis pagãos sustentaria a família judia no exílio egípcio. Providência em forma de tesouro.

E Herodes, esperando informações que nunca vieram, faria o impensável.

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