Capítulo III
O Início do Ministério
Parte VI — A Purificação do Templo
Parte VI: A Purificação do Templo
Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. No pátio do templo viu os que vendiam bois, ovelhas e pombas. Fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo.
Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas. E disse: "A minha casa será chamada casa de oração, mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões."
Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que ali estavam comprando e vendendo. Virou as mesas dos cambistas e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo.
Nota: João situa este evento no início do ministério; os sinóticos, na semana final. Alguns estudiosos propõem duas purificações distintas.
A Páscoa se aproximava.
De Caná, Jesus desceu a Cafarnaum com sua mãe, irmãos e discípulos. Ficaram alguns dias. E então, como todo judeu piedoso fazia três vezes por ano, ele subiu a Jerusalém para a festa.
Era a primeira Páscoa de seu ministério público. Os discípulos ainda mal o conheciam. Tinham visto água virar vinho. Não sabiam o que esperar agora.
O que viram os deixou atordoados.
No pátio do templo viu os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas assentados em suas mesas. — João 2:14
O pátio dos gentios. O lugar onde qualquer pessoa — judia ou não — podia vir buscar o Deus de Israel. Era para ser um lugar de oração.
Tinha virado um mercado.
Bois mugindo. Ovelhas balindo. Pombas arrulhando. Cambistas contando moedas. O barulho tornava impossível qualquer silêncio interior. O cheiro de esterco afogava qualquer incenso.
Os animais eram para os sacrifícios — e havia lógica nisso. Peregrinos vinham de longe; era impraticável trazer animais por semanas de viagem. Comprar ali era conveniente.
Os cambistas trocavam moedas romanas — que tinham imagens de César — por moedas do templo. Tecnicamente necessário, já que as ofertas não podiam ser dadas em moeda pagã.
Mas a conveniência tinha virado exploração. Os preços eram inflados. As taxas de câmbio, abusivas. A casa de Deus tinha virado negócio.
Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as mesas. — João 2:15
Jesus fez um chicote.
Não foi reação impulsiva. Ele parou. Pegou cordas. Trançou. Fez uma arma. E então agiu.
Mesas viraram. Moedas rolaram pelo chão de pedra. Animais correram em pânico.
Cambistas gritaram. Vendedores fugiram. No meio do caos, um homem sozinho expulsava um sistema inteiro.
Ninguém o impediu.
Havia algo nele — autoridade que não vinha de título ou posição. Algo que fazia homens adultos recuarem diante de um galileu com um chicote de cordas.
"Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" — João 2:16
"A casa de meu Pai."
Não "a casa de Deus". Meu Pai. Jesus reivindicava uma relação que nenhum rabino ousaria reivindicar. E fazia isso enquanto expulsava o comércio do templo.
Os discípulos observavam. E lembraram.
Seus discípulos recordaram-se do que estava escrito: "O zelo pela tua casa me consumirá." — João 2:17
Salmo 69:9. Um salmo de Davi — mas um salmo que ia além de Davi. O salmista sofre por causa de seu zelo pela casa de Deus. Seus inimigos o odeiam por isso. Ele é consumido por essa paixão.
Os discípulos viram Jesus e pensaram: é isso que está acontecendo. O zelo o consome. A casa de Deus está profanada e ele não consegue simplesmente ignorar.
Mas há algo mais nesse verso. O verbo está no futuro: "me consumirá". O zelo não apenas o impulsionava agora — o destruiria depois. A mesma paixão que o fez expulsar os mercadores acabaria levando-o à cruz.
Os judeus então lhe perguntaram: "Que sinal nos mostras para fazeres estas coisas?" — João 2:18
Os líderes exigiam credenciais. Com que autoridade você faz isso? Quem te deu esse direito? Prove que tem poder para agir assim.
A resposta de Jesus foi enigmática.
"Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias." — João 2:19
Os judeus responderam: "Este templo levou quarenta e seis anos para ser construído, e você vai levantá-lo em três dias?" — João 2:20
Herodes, o Grande, tinha começado a reconstrução do templo em 19 a.C. Quarenta e seis anos depois, ainda não estava completo. E este homem dizia que reconstruiria em três dias?
Parecia loucura. Ou blasfêmia.
Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo. — João 2:21
João explica para nós o que os líderes não entenderam. Jesus não falava do templo de pedras. Falava de si mesmo.
Destruam este corpo. Em três dias, eu o levantarei.
Era profecia da ressurreição. Mas era mais que isso. Era declaração de que o verdadeiro templo — o lugar onde Deus habita entre os homens — não era um edifício. Era uma pessoa. Era ele.
"Aquele que é a Palavra tornou-se carne e habitou entre nós" (João 1:14). O verbo "habitar" é eskēnōsen — literalmente, "armou tenda", como o tabernáculo no deserto. Jesus era o novo tabernáculo. O templo de pedra apontava para ele. Quando o corpo de Jesus ressuscitou, o templo de pedra se tornou obsoleto.
Depois que ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito. Então creram na Escritura e na palavra que Jesus dissera. — João 2:22
Os discípulos só entenderam depois. Três anos depois, diante do túmulo vazio, a memória voltou: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias." Ah. Era isso que ele queria dizer.
A Páscoa continuou. Jesus permaneceu em Jerusalém.
Estando ele em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos viram os sinais miraculosos que ele estava realizando e creram em seu nome. — João 2:23
Multidões criam. Sinais aconteciam. O nome de Jesus se espalhava. Parecia sucesso.
Mas havia algo estranho.
Mas Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos. — João 2:24
A mesma palavra grega — episteusen — aparece duas vezes. Eles "criam" nele. Ele não "se confiava" a eles. Fé de um lado. Reserva do outro.
Por quê?
Não precisava que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem. — João 2:25
Jesus conhecia o coração humano. Via além das aparências. Sabia que a fé baseada apenas em sinais era rasa — podia desaparecer tão rápido quanto surgiu. Multidões que hoje gritam "Hosana" podem amanhã gritar "Crucifica".
Ele não se iludia com popularidade.
A purificação do templo foi mais que um ato de protesto. Foi declaração de identidade.
O profeta Malaquias havia prometido: "Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E de repente virá ao seu templo o Senhor a quem vocês buscam" (Malaquias 3:1).
João Batista era o mensageiro. E agora o Senhor vinha ao templo.
Malaquias continuava: "Mas quem suportará o dia da sua vinda? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Porque ele será como fogo de fundidor e como sabão de lavandeiro" (Malaquias 3:2).
Purificação. Fogo. Limpeza. Era exatamente isso que Jesus fazia — purificando a casa de Deus, preparando o caminho para algo novo.
O templo de pedra seria destruído em 70 d.C. Mas o templo verdadeiro — o corpo de Cristo, ressuscitado e glorificado — permanece para sempre.
Conexões
- Salmo 69:9 — O zelo pela casa de Deus consome o Messias
- Malaquias 3:1-3 — O Senhor virá ao templo e purificará
- João 1:14 — A Palavra habitou (armou tenda) entre nós
- 1 Coríntios 3:16-17 — Vocês são o templo de Deus
- 1 Coríntios 6:19 — O corpo como templo do Espírito Santo
- Apocalipse 21:22 — Na nova Jerusalém, o Senhor e o Cordeiro são o templo