Capítulo IV
O Ministério na Galileia
Parte II — Um Dia em Cafarnaum
Parte II: Um Dia em Cafarnaum
Foram a Cafarnaum. Quando chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam maravilhados, porque os ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.
Então Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e no sábado começou a ensinar o povo. Ficavam maravilhados com o seu ensino, porque a sua mensagem tinha autoridade.
Depois de Nazaré, Jesus desceu a Cafarnaum.
Cafarnaum. Uma cidade pesqueira na margem noroeste do Mar da Galileia. Maior que Nazaré. Mais cosmopolita. Com uma sinagoga construída por um centurião romano. Ali, Jesus estabeleceria sua base de operações.
Se Nazaré o rejeitou, Cafarnaum o receberia — pelo menos no início.
Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade. — Lucas 4:32
A diferença era perceptível. Os escribas ensinavam citando outros rabinos: "Rabi Hillel disse... Rabi Shammai interpretou...". Uma cadeia interminável de opiniões sobre opiniões.
Jesus ensinava diferente. Não citava autoridades — era a autoridade. Não interpretava a Lei — dava a Lei. Os ouvintes percebiam: este homem fala como quem sabe, não como quem aprendeu.
E então o confronto veio. Não de fariseus. De um demônio.
Na sinagoga havia um homem possesso de um demônio, de um espírito imundo. Ele gritou bem alto: "O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!" — Lucas 4:33-34
No meio do ensino, no meio da sinagoga, no dia de sábado — um homem gritou. Mas não era o homem quem falava. Era algo dentro dele.
O demônio sabia quem Jesus era. "O Santo de Deus" — título que os humanos ainda não usavam. Os demônios reconheciam o que os religiosos não conseguiam ver.
E o demônio tinha medo. "Vieste para nos destruir?" A presença de Jesus era ameaça existencial para as trevas.
Jesus o repreendeu severamente.
"Cale-se e saia dele!" — Lucas 4:35
O demônio lançou o homem ao chão diante de todos e saiu sem lhe causar nenhum dano.
"Cale-se e saia dele!" — Lucas 4:35
Quatro palavras. Sem ritual, sem fórmula mágica, sem exorcismo prolongado. Apenas uma ordem — e o demônio obedeceu.
O espírito tentou uma última violência — jogou o homem no chão. Mas não pôde machucá-lo. Jesus não apenas expulsava demônios; protegia suas vítimas no processo.
Todos ficaram assombrados e diziam uns aos outros: "Que palavra é essa? Com autoridade e poder ele dá ordens aos espíritos imundos, e eles saem!" — Lucas 4:36
Autoridade sobre o ensino. Autoridade sobre demônios. Quem era este homem?
E a sua fama se espalhava por toda a região circunvizinha. — Lucas 4:37
O dia não tinha terminado.
Jesus saiu da sinagoga e foi à casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e pediram a Jesus que fizesse algo por ela. — Lucas 4:38
Pedro era casado. Sua sogra morava com ele — ou ele morava com ela. E ela estava doente. Febre alta, provavelmente perigosa numa era sem antibióticos.
Inclinando-se sobre ela, Jesus repreendeu a febre.
E a febre a deixou. Ela se levantou imediatamente e começou a servi-los. — Lucas 4:39
A mesma palavra usada para o demônio. Como se a doença fosse uma força invasora que precisava ser expulsa. E foi.
A mulher não apenas melhorou gradualmente. Levantou-se "imediatamente" e começou a servir. De acamada a anfitriã em segundos. Cura completa. Força restaurada.
O sol se pôs. O sábado terminou. E então vieram todos.
Ao pôr do sol, todos os que tinham pessoas doentes com várias enfermidades as trouxeram a Jesus, e, impondo as mãos sobre cada uma, ele as curava. — Lucas 4:40
A lei judaica proibia carregar cargas no sábado. Então esperaram. O sol mal tocou o horizonte e as ruas se encheram. Toda Cafarnaum trouxe seus doentes.
Marcos adiciona um detalhe impressionante:
A cidade toda se reuniu à porta. — Marcos 1:33
Toda a cidade. À porta de uma casa. Multidões de doentes, deficientes, sofredores — todos esperando um toque.
E também de muitos saíam demônios, gritando: "Tu és o Filho de Deus!" Ele, porém, os repreendia severamente e não lhes permitia falar, porque sabiam que ele era o Cristo. — Lucas 4:41
Os demônios sabiam. E queriam gritar. Mas Jesus os silenciava.
Por quê? Porque o testemunho de demônios não era o tipo de publicidade que Jesus queria. Ele seria revelado em seus próprios termos, no seu próprio tempo. Não por vozes do inferno.
Um dia em Cafarnaum.
Ensino com autoridade. Demônio expulso. Sogra curada. Cidade inteira à porta. Dezenas — talvez centenas — de curas. Demônios gritando a verdade e sendo silenciados.
Este era o ritmo do ministério galileu — intenso, exaustivo, incessante.
E era apenas o começo.
Conexões
- Autoridade sobre Demônios — Os espíritos imundos reconhecem Jesus antes dos humanos. "Sei quem tu és: o Santo de Deus!" Hierarquia dimensional: Jesus comanda, demônios obedecem. Criaturas de outra ordem sabem quem está no topo.
- Prefiguração (AT) — 1 Samuel 16:14-23: o espírito maligno deixava Saul quando Davi tocava. Aqui, Jesus expulsa com uma palavra — autoridade maior.
- Cumprimento (NT) — Marcos 1:27: "Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem!" Filipenses 2:10-11: todo joelho se dobrará.
- Paralelo — Demônios confessam a verdade que Israel resiste. Os que deveriam reconhecer, não reconhecem. Os que são inimigos, tremem e confessam.