Capítulo IV
O Ministério na Galileia
Parte IX — Senhor do Sábado II: A Mão Ressequida
Parte IX: Senhor do Sábado II — A Mão Ressequida
Saindo dali, Jesus entrou na sinagoga deles, e estava ali um homem com uma das mãos paralizada. Eles perguntaram a Jesus: "É permitido curar no sábado?" Disse ao homem: "Estenda a mão." Ele a estendeu, e ela foi restaurada.
Em outra ocasião ele entrou na sinagoga, e ali estava um homem com uma das mãos atrofiada. Alguns o observavam para ver se o curaria no sábado. Jesus disse ao homem: "Levante-se e fique aqui na frente."
Noutro sábado, ele entrou na sinagoga e ensinava. Estava ali um homem cuja mão direita era paralizada. Os fariseus observavam Jesus de perto, a fim de encontrar alguma razão para acusá-lo.
Outro sábado. Outra sinagoga. Outro confronto.
Um homem com mão ressequida — provavelmente paralisia que causou atrofia muscular. A mão era inútil. Pendurava morta ao lado do corpo.
Ele estava lá. Jesus estava lá. E os fariseus também.
Alguns deles estavam procurando um motivo para acusar Jesus; por isso o observavam atentamente, para ver se o curaria em dia de sábado. — Marcos 3:2
Não estavam ali para adorar. Estavam ali para vigiar. Para pegar Jesus em flagrante.
Se Jesus curasse no sábado, teriam munição. Se não curasse, o movimento dele perderia força. Era armadilha.
A tradição rabínica permitia tratar doentes no sábado apenas se houvesse risco de vida. Uma mão ressequida não era emergência. Podia esperar até domingo.
Jesus viu a armadilha. E decidiu entrar nela de frente.
"Levante-se e fique em pé na frente de todos." — Marcos 3:3
Não curou em silêncio. Não esperou terminar o culto. Chamou o homem para o centro da sinagoga. Fez todo mundo olhar.
E então fez a pergunta.
"O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou matar?" — Marcos 3:4
A pergunta expunha a hipocrisia.
Se é proibido fazer o bem no sábado, então fazer nada seria neutro — mas não curar quando se pode curar é fazer o mal. Deixar alguém sofrendo quando se pode aliviar é crueldade passiva.
A lógica era impecável.
Se é proibido fazer o bem no sábado, então fazer nada seria neutro — mas não curar quando se pode curar é fazer o mal. Deixar alguém sofrendo quando se pode aliviar é crueldade passiva.
Os fariseus ficaram em silêncio. Não tinham resposta.
Eles permaneceram em silêncio. — Marcos 3:4
Jesus olhou com ira. Profundamente entristecido com a dureza de coração deles.
Disse ao homem:
"Estenda a mão." — Marcos 3:5
Ele a estendeu, e a mão foi restaurada.
Dois detalhes importantes.
Primeiro: Jesus olhou com ira. O Filho de Deus, irado. Não ira descontrolada — ira justa. Ira contra a hipocrisia. Ira contra corações que preferiam regras a pessoas. Ira santa contra a perversão do propósito do sábado.
Segundo: Jesus estava "profundamente entristecido". A ira não excluía a tristeza. Ele via o que eles tinham se tornado — e lamentava.
E então curou.
"Estenda a mão." — Marcos 3:5
Uma ordem simples. Duas palavras.
O homem estendeu — e funcionava. Músculos restaurados. Nervos reconectados. Anos de atrofia revertidos instantaneamente.
A palavra de Jesus criava realidade. O que ele ordenava, acontecia.
Os fariseus saíram.
Então os fariseus saíram e começaram a conspirar com os herodianos sobre como poderiam matar Jesus. — Marcos 3:6
A primeira conspiração de morte.
Fariseus e herodianos eram inimigos naturais. Fariseus detestavam Roma e seus colaboradores. Herodianos apoiavam a dinastia de Herodes — títere de Roma. Não tinham nada em comum.
Exceto ódio a Jesus.
A ameaça que Jesus representava era tão grande que uniu opostos. Naquele sábado, a aliança que mataria Jesus começou a se formar.
Tudo isso por causa de uma cura. Tudo isso porque Jesus se importava mais com um homem que com tradições humanas.
"O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado." — Marcos 2:27
O Senhor do sábado tinha demonstrado novamente do que o sábado tratava. E os guardiões do sábado planejavam assassinato.
A ironia era grotesca.
Conexões
- Valor da Vida > Regra — "É permitido fazer o bem no sábado ou fazer o mal? Salvar uma vida ou matar?" Jesus força a escolha. Deixar alguém sofrer quando se pode curar é fazer o mal. A religião que impede misericórdia não é de Deus.
- Prefiguração (AT) — Oséias 6:6: "Misericórdia quero, e não sacrifício." Êxodo 31:14: pena de morte por violar o sábado — mas salvar vida sempre foi exceção.
- Cumprimento (NT) — Mateus 12:12: "Quanto mais vale um homem do que uma ovelha!" João 5:17: "Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho."
- Paralelo — Jesus olha para os fariseus "com ira, profundamente entristecido" (Marcos 3:5). Ira santa diante de dureza de coração.