Patrick Nekel
Harmonia Dos Evangelhos

Capítulo IV

O Ministério na Galileia

Parte IX — Senhor do Sábado II: A Mão Ressequida

Parte IX: Senhor do Sábado II — A Mão Ressequida

Mateus 12:9-14

Saindo dali, Jesus entrou na sinagoga deles, e estava ali um homem com uma das mãos paralizada. Eles perguntaram a Jesus: "É permitido curar no sábado?" Disse ao homem: "Estenda a mão." Ele a estendeu, e ela foi restaurada.

Marcos 3:1-6

Em outra ocasião ele entrou na sinagoga, e ali estava um homem com uma das mãos atrofiada. Alguns o observavam para ver se o curaria no sábado. Jesus disse ao homem: "Levante-se e fique aqui na frente."

Lucas 6:6-11

Noutro sábado, ele entrou na sinagoga e ensinava. Estava ali um homem cuja mão direita era paralizada. Os fariseus observavam Jesus de perto, a fim de encontrar alguma razão para acusá-lo.

Outro sábado. Outra sinagoga. Outro confronto.

Um homem com mão ressequida — provavelmente paralisia que causou atrofia muscular. A mão era inútil. Pendurava morta ao lado do corpo.

Ele estava lá. Jesus estava lá. E os fariseus também.

Alguns deles estavam procurando um motivo para acusar Jesus; por isso o observavam atentamente, para ver se o curaria em dia de sábado. — Marcos 3:2

Não estavam ali para adorar. Estavam ali para vigiar. Para pegar Jesus em flagrante.

Se Jesus curasse no sábado, teriam munição. Se não curasse, o movimento dele perderia força. Era armadilha.

A tradição rabínica permitia tratar doentes no sábado apenas se houvesse risco de vida. Uma mão ressequida não era emergência. Podia esperar até domingo.

Jesus viu a armadilha. E decidiu entrar nela de frente.

"Levante-se e fique em pé na frente de todos." — Marcos 3:3

Não curou em silêncio. Não esperou terminar o culto. Chamou o homem para o centro da sinagoga. Fez todo mundo olhar.

E então fez a pergunta.

"O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou matar?" — Marcos 3:4

A pergunta expunha a hipocrisia.

Se é proibido fazer o bem no sábado, então fazer nada seria neutro — mas não curar quando se pode curar é fazer o mal. Deixar alguém sofrendo quando se pode aliviar é crueldade passiva.

A lógica era impecável.

Se é proibido fazer o bem no sábado, então fazer nada seria neutro — mas não curar quando se pode curar é fazer o mal. Deixar alguém sofrendo quando se pode aliviar é crueldade passiva.

Os fariseus ficaram em silêncio. Não tinham resposta.

Eles permaneceram em silêncio. — Marcos 3:4

Jesus olhou com ira. Profundamente entristecido com a dureza de coração deles.

Disse ao homem:

"Estenda a mão." — Marcos 3:5

Ele a estendeu, e a mão foi restaurada.

Dois detalhes importantes.

Primeiro: Jesus olhou com ira. O Filho de Deus, irado. Não ira descontrolada — ira justa. Ira contra a hipocrisia. Ira contra corações que preferiam regras a pessoas. Ira santa contra a perversão do propósito do sábado.

Segundo: Jesus estava "profundamente entristecido". A ira não excluía a tristeza. Ele via o que eles tinham se tornado — e lamentava.

E então curou.

"Estenda a mão." — Marcos 3:5

Uma ordem simples. Duas palavras.

O homem estendeu — e funcionava. Músculos restaurados. Nervos reconectados. Anos de atrofia revertidos instantaneamente.

A palavra de Jesus criava realidade. O que ele ordenava, acontecia.

Os fariseus saíram.

Então os fariseus saíram e começaram a conspirar com os herodianos sobre como poderiam matar Jesus. — Marcos 3:6

A primeira conspiração de morte.

Fariseus e herodianos eram inimigos naturais. Fariseus detestavam Roma e seus colaboradores. Herodianos apoiavam a dinastia de Herodes — títere de Roma. Não tinham nada em comum.

Exceto ódio a Jesus.

A ameaça que Jesus representava era tão grande que uniu opostos. Naquele sábado, a aliança que mataria Jesus começou a se formar.

Tudo isso por causa de uma cura. Tudo isso porque Jesus se importava mais com um homem que com tradições humanas.

"O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado." — Marcos 2:27

O Senhor do sábado tinha demonstrado novamente do que o sábado tratava. E os guardiões do sábado planejavam assassinato.

A ironia era grotesca.

Conexões

  • Valor da Vida > Regra — "É permitido fazer o bem no sábado ou fazer o mal? Salvar uma vida ou matar?" Jesus força a escolha. Deixar alguém sofrer quando se pode curar é fazer o mal. A religião que impede misericórdia não é de Deus.
  • Prefiguração (AT) — Oséias 6:6: "Misericórdia quero, e não sacrifício." Êxodo 31:14: pena de morte por violar o sábado — mas salvar vida sempre foi exceção.
  • Cumprimento (NT) — Mateus 12:12: "Quanto mais vale um homem do que uma ovelha!" João 5:17: "Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho."
  • Paralelo — Jesus olha para os fariseus "com ira, profundamente entristecido" (Marcos 3:5). Ira santa diante de dureza de coração.