Capítulo IV
O Ministério na Galileia
Parte X — A Escolha dos Doze
Parte X: A Escolha dos Doze
Chamou seus doze discípulos e deu-lhes autoridade para expulsar espíritos imundos e curar todo tipo de doença. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão...
Jesus subiu a um monte e chamou os que ele queria, os quais vieram para junto dele. Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar e tivessem autoridade para expulsar demônios.
Naqueles dias Jesus foi a um monte para orar, e passou a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também designou apóstolos.
Jesus se retirou para o mar.
A fama tinha se espalhado além da Galileia. Vinham da Judeia ao sul, da Idumeia mais ao sul ainda, do outro lado do Jordão a leste, de Tiro e Sidom ao norte. De todas as direções, as pessoas convergiam.
Visto que a multidão era muito grande, ele disse a seus discípulos que lhe preparassem um pequeno barco, para que a multidão não o comprimisse. — Marcos 3:9
O barco novamente. Púlpito flutuante. Espaço para respirar. Sem o barco, a multidão o esmagaria.
Pois tendo curado muitos, todos os que sofriam de algum mal se empurravam para tocá-lo. E sempre que os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: "Tu és o Filho de Deus." Mas ele os proibia terminantemente de dizerem quem ele era. — Marcos 3:10-12
Padrão conhecido. Multidões desesperadas. Toque buscado. Demônios confessando a verdade — e sendo silenciados.
Os demônios sabiam. Caíam diante dele. Gritavam sua identidade. E Jesus os calava.
O segredo messiânico. Jesus controlava o ritmo da revelação. Quando e como a verdade sobre ele seria conhecida estava em suas mãos — não nas bocas de demônios.
E então veio a noite decisiva.
Naqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. — Lucas 6:12
A noite inteira. No monte. Em oração.
Jesus estava prestes a tomar uma decisão que definiria o futuro do movimento. Precisava discernir. Precisava confirmar. Precisava ouvir o Pai.
Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também designou apóstolos. — Lucas 6:13
De todos os que o seguiam, Jesus escolheu doze. Número deliberado. Doze tribos de Israel. Doze patriarcas. Jesus estava constituindo o núcleo de um novo Israel.
A palavra "apóstolo" vem do grego apostolos — "enviado". Não apenas seguidores — representantes oficiais. Embaixadores com autoridade delegada.
Jesus subiu a um monte e chamou os que ele quis, e estes vieram para junto dele. Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele e para os enviar a pregar e a ter autoridade para expulsar demônios. — Marcos 3:13-15
Dois propósitos. Primeiro: "estivessem com ele" — comunhão, formação, aprendizado pela convivência. Segundo: "enviar a pregar e expulsar demônios" — missão, autoridade delegada, extensão do ministério de Jesus.
Os nomes:
Estes são os doze que ele escolheu: Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer "filhos do trovão"; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu. — Marcos 3:16-19
Pedro. O impulsivo. A rocha. O líder natural. O primeiro a falar, o primeiro a errar, o primeiro a ser restaurado.
Tiago e João eram os filhos do trovão — Boanerges, temperamento explosivo. João era "o discípulo amado", mas também foi quem quis chamar fogo do céu sobre uma aldeia samaritana.
André. O apresentador. Trouxe Pedro a Jesus, trouxe o menino dos pães e peixes, trouxe os gregos que queriam ver Jesus.
Filipe. O pragmático. "Duzentos denários de pão não bastariam."
Bartolomeu. Provavelmente Natanael — "o verdadeiro israelita, em quem não há dolo".
Mateus. O ex-publicano. O que deixou a coletoria.
Tomé. Dídimo — "o gêmeo". O duvidador. O que precisava ver para crer.
Tiago, filho de Alfeu. Quase desconhecido. Fiel no anonimato.
Tadeu. Também chamado Judas, filho de Tiago. Uma pergunta registrada em João 14: "Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?"
Simão, o zelote. Ex-terrorista. Os zelotes queriam expulsar Roma pela força. Jesus o chamou.
Judas Iscariotes. O traidor.
Que grupo.
Pescadores, publicano, zelote. Homens que normalmente não se sentariam na mesma mesa. Simão o zelote odiava Roma; Mateus trabalhava para Roma. E Jesus os colocou lado a lado.
Nenhum membro da elite religiosa — nem sacerdote, nem escriba, nem fariseu. Homens comuns da Galileia. E um traidor que ainda não sabia que trairia.
Jesus sabia. Desde o início.
"Não fui eu que os escolhi, os Doze? Contudo, um de vocês é um diabo!" — João 6:70
Ele escolheu Judas sabendo. A traição não pegou Jesus de surpresa. Estava no plano desde o começo. O traidor foi escolhido como os outros — deliberadamente, após noite de oração.
Por quê? O mistério permanece. Mas Jesus não foi vítima de Judas. Judas foi instrumento do plano que Jesus conhecia e aceitou.
Doze homens. Três anos de formação. Uma missão impossível: levar o evangelho ao mundo inteiro.
E funcionou.
Exceto por João, todos morreram como mártires. Mas antes de morrer, espalharam a mensagem. Pedro pregou em Jerusalém e Roma. Tomé foi até a Índia. Mateus escreveu o primeiro Evangelho. João sobreviveu até o fim e registrou visões do Apocalipse.
Tudo começou naquela manhã no monte. Depois de uma noite de oração. Com doze nomes.
Conexões
- Novo Israel — 12 Tribos Restauradas — Doze não é número aleatório. Jacó teve doze filhos. Israel tinha doze tribos. Jesus escolhe doze apóstolos. Ele está reconstituindo Israel ao redor de si mesmo como centro.
- Prefiguração (AT) — Gênesis 35:22-26: os doze filhos de Jacó. Êxodo 24:4: Moisés erige doze colunas. Gênesis 49: bênçãos sobre os doze.
- Cumprimento (NT) — Mateus 19:28: "Vocês se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel." Apocalipse 21:14: os doze fundamentos têm nomes dos apóstolos.
- Paralelo — Jesus passou a noite orando antes de escolher. Decisões cruciais exigem comunhão profunda com o Pai.