Capítulo V
Fé Além das Fronteiras
Parte II — O Filho da Viúva de Naim
Parte II: O Filho da Viúva de Naim
Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão. Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo um enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela.
Logo depois.
Jesus ainda estava na região da Galileia. Tinha acabado de curar o servo do centurião — à distância, com uma palavra. Agora caminhava em direção a Naim.
Naim ficava a cerca de quarenta quilômetros de Cafarnaum. Uma jornada de um dia. Uma pequena cidade nas encostas do monte Hermom, próxima de Suném — onde, séculos antes, Eliseu havia ressuscitado o filho de uma mulher.
Duas procissões se encontraram no portão.
Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo um enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. — Lucas 7:12
De um lado, Jesus entrando com discípulos e multidão — vida.
Do outro lado, um cortejo fúnebre saindo — uma viúva, seu único filho, morte.
Ser viúva no primeiro século significava catástrofe social. Sem marido, uma mulher dependia dos filhos homens. Sem filhos, ficava desamparada. Sem renda, sem proteção, sem futuro.
O menino era seu único filho.
Não era apenas luto. Era ruína. Quando aquele corpo fosse enterrado, a mulher ficaria sem nada. Sem provedor, sem amparo, sem razão para viver.
Quando o Senhor a viu, teve compaixão dela e disse: "Não chore." — Lucas 7:13
Jesus viu.
Não foi chamado. Não pediu nada. Não havia fé expressa, como com o centurião. Jesus simplesmente olhou — e sentiu.
A palavra grega é splanchnízomai. Compaixão visceral. Algo que revira as entranhas. Não simpatia distante. Dor compartilhada.
"Não chore."
Palavras estranhas num funeral. Frase vazia, se dita por qualquer outro. Mas Jesus não falava ao acaso.
Então, aproximando-se, tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. — Lucas 7:14
Jesus tocou o caixão.
Na lei judaica, tocar um caixão — ou qualquer coisa associada a um morto — tornava a pessoa impura por sete dias. Contaminação ritual.
Mas Jesus não se contaminou.
A impureza não fluiu para ele. A pureza fluiu dele. O toque não o tornou impuro — tornou o morto vivo.
"Jovem, eu te digo: Levanta-te!" — Lucas 7:14
Três palavras em grego. Ordem direta. Sem ritual, sem encantamento, sem invocação. Apenas a voz daquele que tem autoridade sobre a vida e a morte.
O morto sentou-se e começou a falar, e Jesus o entregou à sua mãe. — Lucas 7:15
Sentou-se.
O corpo que estava sendo carregado para o túmulo agora estava sentado, falando. A morte foi interrompida. A decomposição foi revertida. O impossível aconteceu.
Jesus o entregou à mãe.
Detalhe comovente. Não deixou o jovem ali, no centro das atenções. Pegou-o e devolveu — à mãe. Restaurou não apenas a vida, mas a família.
Todos ficaram cheios de temor e louvavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta surgiu entre nós! Deus interveio em favor do seu povo." — Lucas 7:16
A multidão reconheceu. Isso era profético. Isso era divino.
"Grande profeta." Pensavam em Elias, que ressuscitou o filho da viúva de Sarepta. Pensavam em Eliseu, que ressuscitou o filho da sunamita. Ambos na mesma região.
Mas Elias e Eliseu oraram. Elias se deitou sobre o menino três vezes. Eliseu se esticou sobre o corpo.
Jesus falou.
Uma palavra. E a morte obedeceu.
O jovem de Naim recebeu vida. De onde veio?
"Assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo." — João 5:26
O Pai é a fonte. Não recebe vida — dá. E concedeu ao Filho a mesma qualidade.
Jesus não emprestou vida. Deu do que tinha.
A morte obedeceu porque encontrou alguém que não precisa pedir permissão para dar vida.
Essas notícias a respeito de Jesus espalharam-se por toda a Judeia e regiões circunvizinhas. — Lucas 7:17
A fama cresceu.
Curar doenças era impressionante. Expulsar demônios era poderoso. Mas ressuscitar mortos?
Isso era território de Deus.
O centurião reconheceu autoridade sobre a doença.
A viúva de Naim testemunhou autoridade sobre a morte.
A escala subia.
Quem é este que ordena — e até os mortos obedecem?
Conexões
- 1 Reis 17:17-24 — Elias ressuscita o filho da viúva de Sarepta
- 2 Reis 4:32-37 — Eliseu ressuscita o filho da sunamita
- João 11:1-44 — A ressurreição de Lázaro
- João 5:21 — "Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer"
- Romanos 4:17 — Deus "dá vida aos mortos e chama à existência as coisas que não existem"
- 1 Coríntios 15:26 — "O último inimigo a ser destruído é a morte"